Apr 24 2012
[#ProntoFalei ] – Trabalhar em TI: desafio, incompetência do profissional ou exigência do mercado?
Existe uma lacuna que não é preenchida, uma conta que não fecha. Se anualmente temos centenas de formandos, seja dos níveis técnicos ou de ensino superior, por que sobram vagas no mercado?
Há um bom tempo venho me questionando sobre estas dúvidas – inclusive já abordei o assunto aqui no blog – não somente porque vivo e sinto isso na pele todos os dias, na busca do tão sonhado estágio – mas também porque todos os dias centenas de pessoas como eu também passam pelo mesmo dissabor, de uma expectativa de ser chamado para uma entrevista, de cada vez mais se capacitar, seja por vontade própria ou por “imposição” do mercado, de depois de uma bateria de testes e cadastros em sites, dinâmicas de grupo e outros tantos passos, ver que tudo isso só contribuiu para ganhar experiência em processos seletivos de admissão. Devo colocar isso no currículo???
Um ponto que eu julgo fundamental nesse impasse é o fato de a profissão de TI – não importa a área – não possuir uma regulamentação. O advogado tem a OAB, o médico CRM, mas o profissional de TI só se tem conhecimento de que ele existe porque tudo nos dias de hoje gira em torno da tecnologia, da internet e seus derivados. Pense na possibilidade de se ter 24 horas sem servidores e sem redes, por exemplo, e veja o caos que se instalará no planeta…sem exageros!. Ninguém ainda automatizou os processos para robôs e por isso, tudo depende da máquina humana, ainda.
Crédito da Imagem: Foco Talentos
Por conta de uma regulamentação que não existe, vivemos como se as empresas negociassem suas vagas no mercado negro: altas exigências a um preço desproporcional ao conhecimento e experiência. Para melhor explicar tal paradoxo, vejamos uma situação simples, porém bastante comum: uma empresa necessita de um estagiário que possua experiência em linguagem de programação, banco de dados, inglês a nível intermediário, para uma jornada de 30 horas semanais – graças à Lei do Estágio – o que nem sempre foi assim, por um salário que eu chamo de “salário-coxinha”. Isso só para citar o básico; há ainda outras tantas que exigem mais!
Vejamos: se a empresa busca um estagiário, subentende-se que a mesma (a empresa) está disposta a oferecer treinamento, qualificação, um plano de carreira, uma efetivação. Por que então é necessário que o candidato tenha experiência? Se a vaga é de estágio, eu entendo que como estou na graduação ou num curso técnico, estou buscando qualificação, mas não quer dizer que eu tenha experiência! A faculdade ou a escola técnica não me dá registro em carteira, vínculo empregatício, muito menos me remunera! Ela prepara, capacita, mas não dá experiência, vivência de mercado. Tá errado isso!
Eu acompanho fóruns de discussões do Linkedin, por exemplo, e dias desses uma discussão me chamou a atenção. Entre os membros, um possuía um currículo que o mercado pede e necessita, com 26 anos de experiência, porém estava na mesma labuta diária de outros tantos. Será o fator idade que o impede de se recolocar no mercado?
O tão famoso feedback é também outros motivos que geram reclamações. E de ambos os lados! De um lado, o empresário questionando a falta de ética de um candidato que falta à entrevista sem dar qualquer satisfação. De outro, candidatos que reivindicam o direito de resposta a uma vaga que nunca chegou ou de uma resposta vaga e já manjada do mercado: “No momento seu perfil não se encaixa aos requisitos da vaga, mas seus dados permanecerão em nossa base de dados para futuras consultas”. Candidatos querem saber o motivo de não terem sido escolhidos e não simplesmente fingir que nunca compareceu.
Aconteceu comigo: fui a uma entrevista para uma vaga de estágio em que o feedback prometido pela empresa se daria até o término da semana. Passaram-se 3 semanas e ainda espero resposta. Detalhe: a empresa responsável pelo intermédio entrou em contato comigo dizendo que eu tinha uma entrevista agendada na tal empresa (?!?!). Passado o mal entendido, concluí que a empresa não deu o feedback nem para mim nem para a empresa e pior: ainda estava com sua vaga em aberto.
Diferenças entre “Junior, Pleno e Sênior” são outras possíveis razões para haver tantas vagas esperando preenchimento.
Para uma empresa o Junior é aquele possui alguma experiência, menos que 3 anos; para outras é aquele que mesmo sem experiência, mas com conhecimento é Junior. O mesmo se aplica ao Pleno e ao Sênior.
Outra modalidade de contratação é a PJ – pessoa jurídica. Candidato, pessoa física, abre firma – sim! Com CNPJ e tudo o mais – para se candidatar às vagas das empresas como prestador de serviços. Será para diminuir a carga tributária, não figurar vínculo empregatício, transferir o ônus em caso de reclamação, a soma de tudo isso ou o quê?
Percebe-se que os caminhos que levará empresas e candidatos a se entender vão muito mais além do que qualificações e exigências.
É mais do que necessário que o setor entre para o rol das profissões regulamentadas, não somente por questões salariais, mas também para pôr um ponto final nos critérios exigidos pelas empresas versus a qualificação dos candidatos.
#ProntoFalei! Como alguém que tem seu ponto de vista e vivencia diariamente a dura realidade de se conquistar seu lugar ao sol.
Dúvidas? Sugestões? Comentários? Críticas? Vamos discutir sobre o assunto!
Um grande abraço e até a próxima!










































