CAPTOPRIL – Uma invenção “Quase” Brasileira!

Olá caros leitores! Estou na minha segunda postagem aqui no BM. E hoje gostaria de homenagear dois grandes cientistas brasileiros envolvidos em pesquisa de novos fármacos.

Pois é pessoal! Pouca gente sabe, mas as maiores pesquisas que culminaram na descoberta do CAPTOPRIL , aconteceram no Brasil através dos trabalhos de Prof. Maurício Oscar da Rocha e Silva e o Prof. Sérgio Henrique Ferreira. Estes podem ser considerados dois grandes heróis brasileiros.

O Captopril é um fármaco do tipo inibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA). Sua principal indicação é para tratamento de hipertensão arterial e em alguns casos de insuficiência cardíaca.

Em 1949, o médico Maurício Oscar da Rocha e Silva fazia experimentos com veneno de Jararaca, ou Bothrops jararaca, e descobriu que o veneno deste animal era capaz de causar a aumento da produção de um hormônio chamado Bradicinina na vítima de sua picada acarretando em hipotensão (redução da pressão arterial).

Maurício Oscar da Rocha e Silva era carioca, nasceu em 19 de setembro de 1910 e faleceu em São Paulo em 19 de dezembro de 1983. Graduou-se em medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Ele foi professor da Faculdade de medicina de Ribeirão Preto.

 

Prof. Maurício Oscar da Rocha e Silva

Créditos da imagem: Grandes Cientistas Brasileiros


Prof. Sérgio Henrique Ferreira

O Prof. Sérgio Henrique Ferreira foi aluno do Prof. Maurício Oscar da Rocha e Silva e continuou as suas pesquisas sobre os efeitos hipotensores da bradicinina. Ele descobriu no veneno de Jararaca uma substância intensificadora da resposta da Bradicinina e inibidora da ECA (enzima conversora de angiotensina). Substância capaz de manter baixa a pressão arterial denominada FPB (fator potenciador da bradicinina). Porém Havia dificuldades na produção em grade escala deste princípio ativo e o Brasil, na época, não tinha condições para auxiliar o desenvolvimento do projeto.

O Professor Sérgio Henrique Ferreira é Paulista da cidade de Franca, nasceu em 1934. Filho de uma das primeiras mulheres farmacêuticas do país, Zeni Freire. Seu pai adotivo era jornalista e médico. Graduado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP) em 1960. Em 1961, iniciou os trabalhos no laboratório do Prof. Rocha e Silva, a bradicinina tinha acabado de ser sintetizada. Ferreira resolveu aprofundar os estudos após verificar que a substância sintética era fraca em relação à inventada com o veneno da jararaca. É membro da ABC (Academia Brasileira de Ciências) desde 1984. Foi Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência no período de 1997 à 1999.

 

Prof. Sérgio Henrique Ferreira

Créditos da imagem: IM-INOFAR

Em entrevista para Lúcia Beatriz Torres da IM-INOFAR/ Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ, Professor Sérgio declarou sobre o desenvolvimento do medicamento:

“Eu fiquei orgulhoso. Muito satisfeito pois eu tinha contribuído para que a humanidade ganhasse um novo medicamento para controlar um problema que afeta grande parte da população” .

E continuou:

“Eu fiquei até contente que roubaram a descoberta para mostrar a mediocridade do sistema industrial brasileiro”.

Á partir daí, três cientistas da empresa farmacêutica Squibb EUA, a atual Bristol-Myers Squibb, Miguel Ondetti, Bernard Rubin e David Cushman; desenvolveram o Captopril em 1975.

O Captopril é considerado um dos primeiros sucessos em modelagem molecular. E até hoje é amplamente usado no tratamento da hipertensão arterial.

Até a próxima!

Gervasio Mathias Pereira Neto

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Gervasio Neto

Casado, 32 anos, 4 filhas, Farmacêutico e Bioquímico. Atua no ramo farmacêutico há 16 anos. Trabalhou na Drogaria São Paulo, Hospital AC Camargo, Farmalife e atualmente Poupafarma.

Website: http://www.blogomoura.com

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